O HOMEM INSTRUMENTO
Jean-Jacques Lemêtre, ainda criança começou sozinho a
aprender a tocar instrumentos. Aos 12 anos, tocava saxofone e clarinete com uma
banda de rock em Paris. Logo, começou a
estudar de forma acadêmica. Canto Gregoriano, clarinete, saxofone, composição e
fabricação de instrumentos. Jean-Jacques Lemêtre tocou com várias orquestras
sinfônicas, especializadas na música da idade média até música contemporânea
com o mestre Pierre Boulez, sem abandonar o rock. Descobriu o jazz, o free
jazz, a música folclórica da Europa e a música tradicional do Oriente médio.
Jean-Jacques Lemêtre é eclético.
1978 é o ano de seu primeiro trabalho com Ariane
Mnouchkine e o Théâtre du Soleil com a peça Mephisto.
Desde então, marcou o trabalho e o
sucesso da trupe. Jean-Jacques prepara com muito cuidado cada produção. Ele
viaja, mergulha na cultura e na música dos países, explora suas tradições,
religiões e artes. Coleciona instrumentos, reconstrói alguns, inventa outros
para chegar ao som que ele ouve. Jean-Jacques inventa, acha a música no momento
que o som aparece. Ele respira com os atores. Ele segue cada passo dos
personagens.
Além de sua colaboração com Ariane Mnouchkine desde
os anos 70, Jean-Jacques Lemêtre participou de filmes na tela grande ou na TV, compõe
para teatro, balé, circo, publicidade ou ópera. Compôs a música dos Jogos
Olímpicos de inverno de Albertville em 1992, como havia composto a do
Bicentenário da Revolução francesa em 1989. Desenvolve um trabalho de etnomusicólogo e entende a música na sua dimensão
meditativa.
Em 1996, compõe uma música sobre o acidente nuclear
de Tchernobyl e a apresenta com o ator Georges Bigot. Totalmente singular, ao fim
de seus concertos, Jean-Jacques Lemêtre convida a platéia para tocar e
experimentar seus instrumentos. Assim seus shows acabam com improvisações que
unem pessoas que não se conhecem.
Também é professor, anima oficinas sobre instrumentos
e sons tradicionais e música no/do teatro, no mundo inteiro. Gravou vários discos. Foi premiado inúmeras vezes
por suas composições. Ganhou o Prix Molière, na categoria Música para teatro em
2005.
Coleciona instrumentos originais, tem mais de 2500,
alguns quase desaparecidos. No ciclo, Les
Atrides do Théâtre du Soleil, ele e seus assistentes tocaram ao vivo mais
de 300 deles. Nas suas composições, Lemêtre revela e compartilha os sentimentos
e os pensamentos da comunidade artística através dos instrumentos que ele criou.
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